A epilepsia é uma condição neurológica que impacta diretamente a qualidade de vida de pacientes e familiares. Nos casos refratários, a convivência com múltiplas crises semanais ou até diárias, impõe limitações severas e dificuldades para o paciente. Nesses casos, quando o uso de medicações, não é suficiente para controlar as crises convulsivas, é indicada a cirurgia de Estimulação do Nervo Vago (VNS).
Essa técnica inovadora foi realizada pela primeira vez na região Oeste de Santa Catarina no Hospital Unimed Chapecó. O procedimento foi realizado pelo neurocirurgião, Dr. Luan Lucena, e pelo neurologista, Dr. Leonardo Cordenonzi Pedroso de Albuquerque. Também participaram da cirurgia a neurocirurgiã Leila da Roz, de São Paulo/SP, e a técnica da empresa fornecedora do equipamento, Rejane Yumi Yamassaki.

Dr. Luan explica que a cirurgia consiste na implantação de um marcapasso na região do tórax, que envia estímulos elétricos contínuos ao nervo vago. Esses sinais são capazes de modular a atividade cerebral e reduzir a frequência e a intensidade das crises. “Os estudos mostraram que, estimulando o nervo vago, conseguimos alcançar um controle das crises convulsivas entre 40% e 50% de controle, no mínimo, com pacientes que vão ter um controle maior”, detalha.
Dr. Leonardo ressalta que a cirurgia pode transformar a vida de quem sofre com crises constantes. “Um terço das pessoas com epilepsia não têm controle completo com o medicamento. Neste cenário, as opções de cirurgia emergem como uma esperança para os pacientes controlarem essas crises”, afirma.
No caso do primeiro paciente operado, a realidade é desafiadora. “O paciente tinha de cinco a seis crises semanais, mas já teve períodos da vida com crises diárias de até 10 ocorrências no mesmo dia. Hoje ele usa quatro medicações para crise convulsiva em dose máxima e, mesmo assim, o controle é insatisfatório. Nesses casos, a gente optou pela estimulação do nervo vago”, explica o neurologista.
Para definir a indicação do VNS, três pilares são analisados: a ressonância de crânio, o eletroencefalograma e o histórico clínico do paciente. Não há restrição de idade, tanto crianças com síndromes epilépticas quanto adultos diagnosticados ao longo da vida podem se beneficiar da técnica. “A partir do tempo de estimulação com o marcapasso implantado, o paciente vai ter um benefício a longo prazo na diminuição das crises convulsivas”, completa o Dr. Luan.
A cirurgia de estimulação do nervo vago simboliza esperança e novas perspectivas para quem vive com a epilepsia. Por meio dela, o Hospital Unimed Chapecó facilita o acesso a tratamentos de alta complexidade, proporcionando mais qualidade de vida e autonomia aos pacientes.




