A Polícia Militar de Santa Catarina encontrou um cenário de vulnerabilidade e crime ao atender uma ocorrência de tráfico de drogas no bairro Bom Pastor, em Chapecó, na tarde desta terça-feira (27). Em um porão de residência, foram localizadas duas adolescentes, duas crianças pequenas e material usado no fracionamento de entorpecentes.
A ação do 2º Batalhão de Polícia Militar de Fronteira (2º BPM/Fron) ocorreu durante patrulhamento em um ponto conhecido pela venda de drogas. Os policiais visualizaram uma mulher tentando se esconder, o que desencadeou a abordagem.
Cena flagrada: menores, crianças e drogas
Ao seguir até o fundo de um beco, a guarnição encontrou duas mulheres menores de idade acompanhadas de duas crianças, de aproximadamente 2 e 5 anos. No local, sobre um banco, havia uma caixa de lâminas de barbear com resquícios de droga e um prato.
Sob o mesmo banco, os policiais localizaram uma porção de cocaína de cerca de 2 gramas. As jovens informaram que moravam no porão da residência que dava acesso ao local.
Material de fracionamento e dinheiro escondido
Diante da flagrante ilegalidade, os policiais ingressaram no interior do imóvel. Dentro do porão, foram encontrados dois rolos de papel filme, material típico para embalar drogas, e R$ 100 em espécie.
Durante a busca pessoal, uma das adolescentes retirou R$ 70 escondido em suas roupas íntimas e mais R$ 5,50 do bolso, totalizando R$ 175,50 apreendidos.
Histórico e contexto de vulnerabilidade extrema
A apreensão, embora de quantidade pequena de droga, indicava a prática de fracionamento para venda no local. A situação foi agravada por outros fatores revelados durante a ação:
- Uma das adolescentes já possui registro recente por tráfico, há menos de 30 dias;
- As duas moravam no local sem a presença de qualquer responsável legal;
- Duas crianças em tenra idade (2 e 5 anos) estavam no ambiente do crime.
Encaminhamento e orientações
Diante dos fatos, as jovens foram conduzidas à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais. As crianças foram colocadas sob os cuidados do Conselho Tutelar ou de parentes, conforme protocolo de proteção.
Além das medidas criminais, o caso evidencia uma grave situação de abandono e exploração, exigindo a atuação integrada da rede de proteção à criança e ao adolescente de Chapecó.
Além da repressão: um retrato social
A ocorrência no Bom Pastor vai além de uma simples apreensão. Ela revela um cenário complexo de vulnerabilidade social, onde menores em situação de abandono são cooptadas pelo crime.
A presença de crianças no local aumenta a gravidade do caso, expondo-as a riscos imensuráveis. A ação policial, portanto, atua também como um mecanismo para acionar a assistência social e a proteção dos direitos infanto-juvenis.





