terça-feira, 13 janeiro, 2026

Vacina contra herpes-zóster fica fora do SUS após análise de custo bilionário

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O Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster, doença conhecida popularmente como cobreiro, na rede pública. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (12) no Diário Oficial da União e se refere ao imunizante recombinante adjuvado, avaliado para aplicação em idosos com 80 anos ou mais e pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos.

A conclusão foi tomada após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por avaliar evidências científicas, segurança, custo-efetividade e impacto financeiro antes da inclusão de novas tecnologias no SUS.

Segundo a portaria, a vacina não será incorporada nas indicações analisadas, mas o tema poderá ser reavaliado futuramente, caso surjam novos dados ou propostas que alterem o cenário atual.

O que é a vacina contra o herpes-zóster

A vacina contra o herpes-zóster foi desenvolvida para prevenir a reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo causador da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode voltar a se manifestar anos ou décadas depois, especialmente com o envelhecimento ou a queda da imunidade.

O imunizante avaliado pela Conitec é atualmente o único disponível no Brasil. Do tipo recombinante adjuvado, ele representa um avanço em relação às vacinas mais antigas.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), versões anteriores apresentavam eficácia entre 50% e 60%, além de proteção limitada e menor resposta em idosos.

“A vacina recombinante mudou esse cenário. Ela tem eficácia em torno de 90%, independentemente da idade, inclusive nos mais velhos”, explica.

Por que o herpes-zóster preocupa idosos e imunocomprometidos

O herpes-zóster é mais comum em pessoas idosas e em indivíduos com o sistema imunológico comprometido. Além das lesões na pele, a doença pode evoluir para a neuralgia pós-herpética, caracterizada por dor intensa e persistente, que pode durar meses ou até anos.

De acordo com especialistas, condições de imunossupressão aumentam tanto o risco de desenvolver a doença quanto a gravidade das complicações.

Estudos indicam possíveis benefícios adicionais

Além da prevenção do herpes-zóster e da neuralgia pós-herpética, estudos recentes têm investigado efeitos indiretos da vacinação.

Uma meta-análise internacional apresentada em 2025, reunindo dados de 19 estudos, observou que pessoas vacinadas apresentaram menor incidência de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC, com redução estimada de até 18%, dependendo da faixa etária.

Outro estudo, publicado na revista Nature, analisou mais de 280 mil adultos no Reino Unido e identificou menor número de novos diagnósticos de demência entre os vacinados ao longo de sete anos de acompanhamento.

Especialistas ressaltam que esses achados não alteram as indicações formais da vacina, mas reforçam o interesse científico na prevenção da reativação do vírus.

Por que a vacina não foi incorporada ao SUS

Apesar da eficácia reconhecida, a decisão da Conitec levou em conta fatores além do benefício clínico. O principal ponto foi o custo elevado do imunizante e o impacto orçamentário.

Segundo o Ministério da Saúde, a estimativa indica um gasto superior a R$ 5,2 bilhões em cinco anos caso a vacina fosse incorporada ao SUS. Para comparação, todos os medicamentos do Programa Farmácia Popular somaram R$ 4,2 bilhões no último ano.

“O debate não é se a vacina funciona, porque ela funciona muito bem. A questão é definir prioridades dentro de um orçamento limitado”, explica Kfouri.

Quem pode tomar a vacina atualmente no Brasil

Atualmente, a vacina contra o herpes-zóster não faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e está disponível apenas na rede privada.

A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda:

  • Vacinação de rotina a partir dos 60 anos
  • Consideração a partir dos 50 anos
  • Indicação a partir dos 18 anos para pessoas imunocomprometidas, conforme avaliação médica

Na rede privada, cada dose custa entre R$ 900 e R$ 1.200, e o esquema completo exige duas doses, podendo ultrapassar R$ 2.400.

Posição do Ministério da Saúde

Em nota, o Ministério da Saúde informou que a Conitec reconheceu a importância clínica da vacina, mas concluiu que não houve custo-efetividade nas condições avaliadas.

A Pasta afirmou ainda que tem interesse na incorporação do imunizante e seguirá em negociação com o laboratório fabricante para buscar um preço compatível com o orçamento do SUS.

Fonte: G1

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