Uma equipe de pesquisadores da Espanha anunciou resultados promissores no combate ao câncer de pâncreas, uma das doenças oncológicas mais letais. O estudo, publicado em dezembro na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), demonstrou que uma combinação tripla de medicamentos foi capaz de eliminar completamente os tumores em modelos animais, além de impedir o desenvolvimento de resistência ao tratamento.
A pesquisa foi liderada por Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO). De acordo com os dados apresentados, os tumores regrediram totalmente em um período entre três e quatro semanas. Após o fim da terapia, os animais permaneceram livres da doença por mais de 200 dias, sem sinais de toxicidade relevante.
Como funciona a nova terapia contra o câncer de pâncreas
A estratégia testada pelos cientistas combina três medicamentos que atuam em diferentes alvos moleculares envolvidos no crescimento e na progressão do tumor. O principal deles é direcionado ao oncogene KRAS, considerado um dos principais motores do câncer de pâncreas.
Além disso, a terapia inclui:
- Daraxonrasib (RMC-6236): inibidor de KRAS, responsável por bloquear um dos principais gatilhos do crescimento tumoral.
- Afatinib: bloqueador da família EGFR, proteínas ligadas à proliferação das células cancerígenas.
- SD36: composto que atua sobre a proteína STAT3, associada à sobrevivência e disseminação do tumor.
Segundo os pesquisadores, a combinação desses três compostos levou à regressão completa dos tumores pancreáticos ductais em modelos ortotópicos, além de impedir o reaparecimento da doença durante todo o período de acompanhamento.
Resultados animadores em diferentes modelos
O estudo não se limitou a animais geneticamente modificados. A equipe também testou a terapia em enxertos derivados de tumores humanos implantados em camundongos, reproduzindo com maior fidelidade o comportamento da doença em pessoas.
Em todos os casos, não foram observados sinais de recaída durante o tempo de observação. Outro ponto considerado relevante é que a regressão tumoral ocorreu mesmo sem a participação ativa do sistema imunológico, o que pode indicar potencial aplicação em pacientes imunocomprometidos.
Além disso, os pesquisadores afirmam que os medicamentos foram bem tolerados, sem efeitos colaterais graves aparentes, um fator essencial para a continuidade do desenvolvimento clínico da terapia.
Próximos passos: quando começam os testes em humanos?
Apesar dos resultados considerados expressivos, os cientistas destacam que a pesquisa ainda está em fase experimental. O próximo passo envolve o refinamento das substâncias para garantir segurança e eficácia antes do início dos ensaios clínicos em humanos.
A expectativa é que esses dados sirvam de base para futuros estudos clínicos voltados ao tratamento do câncer de pâncreas, que ainda apresenta opções terapêuticas limitadas e prognóstico desfavorável.
Por que o avanço é tão importante?
O câncer de pâncreas é conhecido pela sua alta agressividade e pelo diagnóstico geralmente tardio. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença representa cerca de 1% de todos os diagnósticos oncológicos, mas é responsável por aproximadamente 5% das mortes por câncer, figurando entre as neoplasias mais letais tanto em homens quanto em mulheres.
Atualmente, as taxas de sobrevida em cinco anos permanecem baixas, o que torna qualquer avanço terapêutico uma notícia relevante para a comunidade médica e para pacientes.
Esperança realista, mas com cautela
Especialistas alertam que, embora os resultados sejam promissores, ainda é cedo para falar em cura. Ensaios clínicos em humanos são etapas longas e rigorosas, que visam comprovar não apenas a eficácia, mas também a segurança da nova abordagem.
Mesmo assim, a descoberta representa um avanço importante no entendimento da biologia do câncer de





