quinta-feira, 22 janeiro, 2026

Menopausa: os sinais silenciosos que vão além das ondas de calor

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Você já parou para pensar por que, mesmo sem ondas de calor intensas, muitas mulheres na faixa dos 45 a 55 anos sentem cansaço constante, lapsos de memória ou irritação sem motivo aparente? A menopausa, marcada pela queda dos hormônios estrogênio e progesterona, não se resume aos fogachos clássicos. Ela traz mudanças graduais e silenciosas que afetam sono, cérebro, ossos e coração, muitas vezes confundidas com o estresse do dia a dia ou o envelhecimento natural.

Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para uma adaptação saudável. Neste artigo, exploramos esses efeitos menos falados, com base em evidências científicas, e trazemos orientações práticas para você ou alguém próximo cuidar melhor da saúde.

Sono perturbado: o cansaço que rouba sua energia diária

Dificuldade para dormir é uma das queixas mais comuns na menopausa, afetando até 60% das mulheres, segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP) publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine em 2022. Não se trata só de insônia passageira: a queda hormonal desregula o ciclo circadiano, causando despertares noturnos e sono não reparador.

Na prática, isso significa acordar exausta, com dificuldade de concentração no trabalho ou nos afazeres. E o ciclo vicioso continua: sono ruim piora a memória e o humor. Pergunte a si mesma: quantas noites ruins você atribuiu ao “excesso de preocupação”, quando pode ser um sinal hormonal? Uma dica útil é manter horários fixos de sono e evitar cafeína após o almoço – hábitos que ajudam a restaurar o equilíbrio.

Memória e humor: quando a mente parece “mais lenta”

Já aconteceu de você esquecer uma palavra no meio da conversa ou sentir ansiedade sem razão clara? Esses lapsos não são sinal de demência, mas sim impactos hormonais na menopausa. O estrogênio protege o hipocampo, área cerebral ligada à memória, e sua redução pode causar névoa mental (brain fog), como explica a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) em suas diretrizes de 2023.

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Mudanças de humor, como irritabilidade ou episódios depressivos leves, afetam 40-50% das mulheres nessa fase, de acordo com pesquisa da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Fatores externos agravam, mas o cerne é hormonal. Na prática, exercícios leves como caminhada e técnicas de mindfulness fazem diferença: elas estimulam a liberação de endorfinas, ajudando a estabilizar o humor.

Saúde óssea em risco: a perda silenciosa que leva a fraturas

Aqui entra um dos perigos mais subestimados: a osteoporose. Sem o estrogênio, a perda óssea acelera em até 2-3% ao ano nos primeiros anos pós-menopausa, elevando o risco de fraturas em 50%, conforme dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), citados em relatório da SBGG de 2024.

O processo é invisível até uma queda simples causar problemas. Mulheres com histórico familiar devem priorizar exames de densitometria óssea a partir dos 50 anos. Prevenção? Consuma cálcio (1.200 mg/dia via laticínios ou vegetais folhosos) e vitamina D, além de exercícios de impacto como corrida leve – estratégias comprovadas para manter a densidade óssea.

Coração vulnerável: a proteção que some

Mulheres pós-menopausa perdem a “blindagem” cardiovascular do estrogênio, o que dobra o risco de doenças cardíacas em 10 anos, segundo o estudo Framingham Heart Study, adaptado para o Brasil pelo Ministério da Saúde em 2023. Hipertensão e colesterol alto surgem do nada, mesmo em quem era saudável.

Monitorar pressão arterial e colesterol anualmente vira essencial. Mudanças no estilo de vida, como dieta mediterrânea rica em ômega-3 (peixes e nozes), reduzem esses riscos em 30%, conforme meta-análise da USP.

Acompanhamento médico: o caminho para o equilíbrio

Enfrentar a menopausa sozinha é arriscado. Consulte um ginecologista para exames hormonais, densitometria e avaliação cardiovascular. A terapia hormonal pode ser opção em casos selecionados, com benefícios superando riscos para muitas, como orienta a Febrasgo.

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Hábitos diários complementam: atividade física 150 minutos/semana, sono de 7-9 horas e suporte psicológico. Com esse olhar integral, a menopausa vira uma etapa de empoderamento, não de sofrimento.

Dra. Ana Horovitz, ginecologista (CRM/SP 111739 | RQE 130806), membro da Brazil Health, reforça: “O acompanhamento contínuo diferencia uma fase desafiadora de uma transição plena de vitalidade.”

Fonte: Jovem Pan

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