Um estudo recente baseado no Censo Demográfico traz um alerta importante sobre o autismo em idosos no Brasil: a prevalência autodeclarada do transtorno entre pessoas com 60 anos ou mais é de 0,86%. Este índice representa aproximadamente 306.836 brasileiros nessa faixa etária, segundo análise realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUCPR.
Estatísticas do Autismo na Terceira Idade
Os dados do levantamento mostram que a incidência varia conforme o gênero, seguindo padrões já observados em outras faixas etárias, embora com margens mais próximas:
- Homens idosos: Prevalência de 0,94%.
- Mulheres idosas: Prevalência de 0,81%.
Esses números reforçam que o TEA não é uma condição restrita à infância, mas uma realidade que acompanha o indivíduo durante todo o processo de envelhecimento.
Por que o diagnóstico de TEA em idosos é um desafio?
Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) estime que 70 milhões de pessoas vivam com TEA no mundo, o reconhecimento em adultos mais velhos ainda é limitado. Segundo a pesquisadora Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro (PUCPR), alguns fatores dificultam a identificação tardia:
- Sintomas Mascarados: Isolamento social e rigidez comportamental podem ser confundidos com sintomas de depressão, ansiedade ou demência.
- Mudança nos Critérios: Muitos idosos cresceram em uma época em que os critérios diagnósticos eram restritos ou inexistentes.
- Falta de Especialistas: Escassez de profissionais capacitados para distinguir o neurodesenvolvimento das patologias do envelhecimento.
“O diagnóstico tardio costuma ser recebido com alívio, pois ajuda o idoso a compreender dificuldades interpessoais e sensoriais vividas ao longo da vida”, explica a pesquisadora Uiara Ribeiro.
Riscos e necessidade de políticas públicas
O envelhecimento no espectro autista exige atenção redobrada do sistema de saúde. O estudo aponta que pessoas com TEA nesta fase da vida possuem maior risco para:
- Declínio Cognitivo: Maior predisposição a perdas de memória e funções executivas.
- Comorbidades Psiquiátricas: Alta incidência de ansiedade e depressão.
- Condições Clínicas: Riscos elevados de doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.
- Barreiras de Acesso: Dificuldades de comunicação e sobrecarga sensorial que podem afastar o idoso dos serviços médicos tradicionais.
O próximo passo para a saúde pública
O mapeamento da prevalência de TEA em idosos é o primeiro passo para a criação de estratégias de apoio e identificação. De acordo com o estudo da PUCPR, os dados evidenciam que o Brasil precisa urgentemente de políticas públicas específicas que garantam o envelhecimento com dignidade e o suporte terapêutico adequado para a população neurodivergente acima dos 60 anos.
Fonte: CNN





