quarta-feira, 4 fevereiro, 2026

Casos de sífilis em gestantes disparam no Brasil e acendem alerta

Compartilhe essa notícia:

A sífilis em gestantes no Brasil segue em ritmo acelerado de crescimento e se consolidou como um dos principais desafios da saúde pública, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em outubro deste ano. Entre 2005 e junho de 2025, foram registrados 810.246 casos da infecção em gestantes em todo o país, acompanhando uma tendência de alta observada também em nível mundial.

A maior concentração dos diagnósticos ocorreu na Região Sudeste, responsável por 45,7% dos casos, seguida pelo Nordeste (21,1%), Sul (14,4%), Norte (10,2%) e Centro-Oeste (8,6%). Em 2024, a taxa nacional de detecção chegou a 35,4 casos por mil nascidos vivos, indicando o avanço da transmissão vertical, quando a doença é passada da mãe para o bebê durante a gestação.

Sífilis congênita é problema histórico no país

De acordo com a ginecologista Helaine Maria Besteti Pires Mayer Milanez, integrante da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o Brasil enfrenta dificuldades para reduzir os casos de sífilis congênita desde a década de 1980.

Segundo a especialista, embora a sífilis seja uma infecção fácil de diagnosticar, rastrear e com tratamento de baixo custo, o país ainda não conseguiu alcançar uma redução significativa dos casos, especialmente entre mulheres jovens e recém-nascidos. Para ela, o aumento da infecção em pessoas em idade reprodutiva contribui diretamente para a elevação da transmissão vertical.

Falhas no diagnóstico durante o pré-natal

Um dos principais fatores apontados para o crescimento da sífilis em gestantes é o subdiagnóstico, inclusive entre profissionais de saúde. O exame mais utilizado no Brasil é o VDRL, um teste não treponêmico que permite identificar a infecção e acompanhar a resposta ao tratamento.

No entanto, a médica alerta que há erros frequentes na interpretação dos resultados. Em muitos casos, quando o teste treponêmico aparece positivo e o VDRL negativo ou com título baixo, o resultado é tratado como uma infecção antiga, sem necessidade de tratamento.

LEIA TAMBÉM  Mais de 300 mil idosos têm Autismo, aponta Censo

“Esse é um erro grave”, explica Helaine. Segundo ela, a maioria das gestantes apresenta títulos baixos no exame não treponêmico, o que não elimina o risco de transmissão ao feto nem a possibilidade de reinfecção pelo parceiro sexual.

Falta de tratamento do parceiro mantém ciclo da infecção

Outro ponto crítico no controle da sífilis é a não adesão ao tratamento dos parceiros sexuais. Quando o parceiro não é tratado adequadamente, a gestante pode ser reinfectada, mantendo o risco de transmissão para o bebê.

A combinação entre diagnóstico inadequado, falhas na interpretação da sorologia do pré-natal e ausência de tratamento do casal contribui diretamente para o aumento dos casos de sífilis congênita, considerada um dos principais indicadores da qualidade da atenção pré-natal no país.

Jovens e idosos concentram novas infecções

Segundo a especialista, os grupos com maior incidência atual de sífilis e HIV no Brasil são pessoas entre 15 e 25 anos e a terceira idade. Entre os jovens, o abandono dos métodos de barreira está associado à redução do medo das infecções sexualmente transmissíveis. Já entre os idosos, o aumento da vida sexual ativa e a ausência do risco de gravidez contribuem para a menor adesão à prevenção.

Mais de 80% das gestantes infectadas não apresentam sintomas durante a gravidez, o que dificulta ainda mais a identificação da doença sem exames adequados.

Riscos da sífilis não tratada

Sem tratamento, a sífilis pode evoluir para fases mais avançadas, com lesões na pele, queda de cabelo, lesões genitais e alta circulação da bactéria no sangue. Em gestantes com sífilis recente, o risco de infecção fetal pode chegar a 100%, segundo a Febrasgo.

Com a proximidade do Carnaval, a médica alerta para o aumento do risco de contágio devido à redução do uso de preservativos. Apesar dos avanços no controle do HIV, com estratégias como a PrEP, não há prevenção medicamentosa equivalente para a sífilis, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

LEIA TAMBÉM  Interrupção de canetas emagrecedoras pode levar à recuperação rápida do peso, aponta estudo

FONTE: Febrasgo

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

SUS passa a oferecer vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

A partir deste mês, bebês prematuros e crianças de até dois anos com comorbidades...

Três em cada 10 brasileiros têm sintomas de insônia, revela pesquisa do Ministério da Saúde

Resumo Estudo nacional mostra que distúrbios do sono afetam milhões de adultos no país e...