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A Secretária Nacional dos direitos da pessoa com deficiência, Priscilla Gaspar, durante cerimônia de apresentação do Plano de Contingência para Pessoas com Deficiência e Doenças Raras.

A pandemia de covid-19 elevou e expôs as vulnerabilidades que os surdos enfrentam, segundo a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Priscilla Gaspar. “Antes, os surdos já enfrentavam dificuldades mesmo cobrando nas esferas municipal, estadual ou federal a atenção em relação às políticas públicas. Nós levamos um susto e vimos mais ainda as necessidades dessas pessoas”, diz a secretária, que é a primeira surda a chegar a um cargo de alto escalão no Executivo. Ela, que é uma das 28 pessoas com surdez na família, entende que a falta de informações para esse público causa impacto em diferentes espaços. 

Uma das providências tomadas pela secretaria foi criar cartilhas para colaborar com a informação de pessoas surdas em relação à covid-19. Para a secretária, a principal questão durante a pandemia era o acesso às informações de primeira necessidade, nas áreas de saúde e também da educação. “Como as pessoas acometidas pelo vírus serão recebidas nos hospitais? Como o surdo vai se comunicar com o médico? Ou na educação, como as pessoas vão acompanhar aulas a distância, em casa. Muitas famílias são vulneráveis. Todas essas questões nos preocupam bastante”, afirma. Para ela, a atenção deve ser ainda maior nesse momento em relação às políticas públicas. Em relação ao período, há uma preocupação extra em relação ao pós-pandemia. “Nós precisamos estar ainda mais atentos a esses grupos. A atenção precisa ser ainda maior”.

Para Priscilla Gaspar, as legislações que garantem os direitos existem, mas precisam ser cumpridas em diferentes esferas pela sociedade. “A Lei Brasileira de Inclusão demorou 15 anos para que fosse reconhecida e regulamentada (em 2015). O maior desafio é a sociedade conhecer e respeitar a legislação”.