sexta-feira, 12 junho, 2026

Medo da radiação afasta pacientes de exames de imagem

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Resumo

O medo da radiação ainda afasta pacientes de exames de imagem, embora eles sejam usados para rastrear, diagnosticar e acompanhar tratamentos. Segundo a CNN Brasil, o SUS faz mais de 100 milhões desses procedimentos por ano, e o total chega a 168 milhões quando se soma a rede privada.

O receio não nasceu do nada. Para muita gente, radiação lembra Hiroshima e Nagasaki, Chernobyl e o caso do Césio-137 no Brasil, que marcou o país há quase 40 anos. Na medicina, porém, a rotina mudou: os equipamentos ficaram mais precisos e usam doses bem menores do que no passado.

Como a radiologia mudou

No final do século XIX e no início do século XX, a radiologia ainda engatinhava. Cientistas e profissionais de saúde se expunham a altas doses sem proteção, e isso deixava queimaduras, amputações e mortes por câncer. De lá para cá, os mecanismos de proteção de pacientes e profissionais mudaram radicalmente, assim como os próprios aparelhos.

Hoje, a tomografia computadorizada continua sendo o exame que mais expõe o paciente à radiação, mas os equipamentos ficaram muito mais eficientes na captura das imagens e reduziram bastante o tempo de exposição. Há aparelhos com algoritmos que ajustam a dose conforme a anatomia do paciente, inclusive com uso de inteligência artificial.

Quando o exame pode ser pedido

Os protocolos também apertaram. Nenhum exame com radiação pode ser feito sem justificativa médica consistente, que precisa mostrar que o benefício do diagnóstico supera o risco da exposição, mesmo quando esse risco é mínimo. Vale o princípio ALARA — As Low As Reasonably Achievable —, que manda manter a dose tão baixa quanto racionalmente exequível.

A dose leva em conta peso e altura. Em crianças, ela cai de forma drástica, porque as células se multiplicam mais rápido e são mais sensíveis, o que pode ampliar os danos. Trabalhadores da saúde, como técnicos e médicos, também têm proteção específica e teto anual de radiação acumulada permitida.

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Há alternativas sem radiação: ultrassonografia e ressonância magnética não oferecem esse risco. No caso de gestantes, se uma tomografia abdominal ou pélvica for realmente necessária, o médico deve adotar protocolos de proteção máxima.

Giovanni Cerri, radiologista com CRM 28697 do Serviço de Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês e head de Radiologia da Brazil Health, escreveu que pacientes podem e devem questionar os médicos quando recebem um pedido de exame: se ele é mesmo necessário naquele momento, que benefício traz ao tratamento, qual proteção será usada e se existe opção sem radiação. Os exames, diz ele, são ferramentas necessárias para orientar tratamentos e não devem ser negligenciados por medo.

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