A Nasa se prepara para uma viagem histórica ao redor da Lua em 6 de fevereiro, mesmo diante de alertas sobre uma falha conhecida. A missão Artemis II levará quatro astronautas na cápsula Orion, cujo escudo térmico sofreu danos inesperados em um voo de teste anterior. A agência afirma que o problema está sob controle, mas especialistas expressam preocupação.
O problema no escudo térmico da cápsula Orion
O componente crucial, que protege a tripulação do calor extremo da reentrada na Terra, apresentou defeitos na missão não tripulada Artemis I, em 2022. Investigadores identificaram que o revestimento Avcoat não se comportou como o esperado. Apesar disso, a Nasa decidiu não redesenhar o escudo térmico para o voo tripulado.
“Este é um escudo térmico defeituoso”, afirmou o Dr. Danny Olivas, ex-astronauta que integrou a equipe de revisão independente. No entanto, ele acredita que a Nasa compreende o risco e tem uma solução operacional. A agência planeja ajustar a trajetória de reentrada para reduzir o estresse térmico.
Divergências dentro da comunidade especializada
Enquanto a Nasa e o comandante da missão, Reid Wiseman, expressam confiança, outros especialistas são categóricos em suas críticas. O Dr. Charlie Camarda, ex-astronauta e especialista em escudos térmicos, classificou a decisão como “loucura”. Ele afirma que o problema poderia ter sido resolvido com um redesign, mas a agência optou por um caminho que considera arriscado.
A Nasa, em comunicado, reconheceu a “incerteza inerente” tanto em voar com o design atual quanto em alterá-lo em cima da hora. A administradora associada Lakiesha Hawkins disse estar “muito confiante” do ponto de vista da gestão de riscos.
Histórico de decisões e o caminho para o lançamento
A escolha pelo material Avcoat remonta a 2009, baseada em seu histórico nas missões Apollo. No entanto, já no voo de teste de 2014 (EFT-1), o material mostrou fragilidades e rachaduras. Mesmo sendo considerado “marginalmente aceitável” na época, a Nasa prosseguiu com o design para as missões lunares, que exigem desempenho muito superior.
Agora, a agência parece determinada a seguir com o lançamento. A missão Artemis II é um passo crucial no programa de retorno à Lua. Ela testará pela primeira vez os sistemas de suporte de vida da Orion com uma tripulação humana, em um voo que durará cerca de 10 dias.
A decisão final reflete um cálculo de risco complexo, ponderando os dados da investigação, o cronograma do programa e a segurança da tripulação. O mundo acompanhará para ver se a confiança da Nasa se justificará.





