quinta-feira, 3 abril, 2025

O adeus a um pioneiro de Chapecó

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A história de Chapecó perdeu neste sábado um importante protagonista. Faleceu na tarde deste sábado, em sua casa, aos 92 anos, Rufino Rosa da Fonseca. Ele nasceu no dia 1º de fevereiro de 1933, na comunidade de Faxinal dos Rosas, interior de Chapecó, mas morava na comunidade da Linha Boa Vista desde 1940, também em Chapecó. Segundo a família, Rufino se tratava de uma pneumonia e não se sentiu bem na tarde deste sábado.

Rufino será velado no salão comunitário da Linha Boa Vista, a partir das 20h deste sábado, 29 e será sepultado no cemitério da Linha Cascavel, Chapecó, às 17h deste domingo, 30.

A Folha Desbravador contou esta história na edição de 02 de fevereiro de 2024, quando Rufino celebrou seus 91 anos. Em homenagem ao legado deixado, reprisamos esta reportagem em texto, fotos e vídeo a seguir:

Rufino Rosa da Fonseca tem 91 anos de idade. Vigor físico e memórias vivas de um desbravador

Lembranças que seguem presentes em objetos empoeirados, sim, mas guardados com carinho e cada uma com uma história de emocionar

Rufino Rosa da Fonseca nasceu no dia 1º de fevereiro de 1933, na comunidade de Faxinal dos Rosas e aos sete anos chegou a cavalo na comunidade de Linha Boa Vista, onde apeou e não saiu mais. Agricultor é uma das profissões que ele aprendeu e segue praticando.

Ele completou 91 anos de idade ontem e, no pátio da propriedade onde mora, detalha histórias que estão vivas na memória. “Seu Rufino”, como é conhecido, lembra com alegria que o cavalo sempre foi um companheiro inseparável na vida, seja na lida ou na diversão.

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“Viajei muitos anos de carroça, a cavalo, até que um dia encontrei minha primeira namorada, a Luiza Oliveira. Namoramos três meses e casamos. Estamos juntos até hoje. Temos 10 filhos, sete vivos e três falecidos”, orgulha-se.

Além de viver da agricultura, Rufino é marceneiro e trabalhou como domador de cavalos e com beneficiamento de couro. Cria peças únicas de selaria e acessórios para lida com cavalos.

“Fiz várias peças de marcenaria, mas acabei por abandonar a profissão, pois construí aviário e essa atividade requer muita dedicação”.

Há alguns anos Rufino e Luiza sentiram que a idade estava avançando e a família deixou a atividade do aviário. Os dois realizaram a partilha dos bens entre os filhos para que todos tivessem seu pedaço de terra e pudessem fixar suas famílias. Juntas estas famílias formam uma espécie de povoado nas proximidades onde pai e a mãe construíram a história, onde todos os filhos nasceram. A tranquilidade típica de interior é o principal motivo que prende a família ao seu endereço natal e os dias se passam com o olhar atendo dos timoneiros.

“Hoje todos os filhos estão bem colocados. Cada um tem seu pedaço de terra e eu me dedico agora à agricultura, plantando o que como e fazendo peças de selaria com couro cru. Faço relho, rebenque, buçal para cavalo entre outras peças”, diz olhando para as obras de seu talento.

Nas paredes de um velho galpão que tem na propriedade, Rufino guarda verdadeiras relíquias que para alguns podem parecer simples objetos, mas não para quem sabe da sua importância na construção da história. São verdadeiros pedaços de história, como o caso da roda da primeira carroça que teve e que lhe serviu de instrumento de trabalho por muitos anos, fazendo mudanças do Rio Grande do Sul para Santa Catarina.

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Memórias guardadas de um passado ainda presente

Entre as peças, também estão presentes equipamentos de trabalho que lembram as origens de Rufino e as dificuldades enfrentadas. Estas peças deixam às gerações futuras um pouco de história do patriarca.

“Guardo aqui um lampião de gás, pua, serrote, selas em couro que usei em muitas viagens, estribo, buçal dos meus cavalos. Um serrote aqui guardado tem mais de 100 anos, pois foi herança do meu pai, e eu já estou a completar 91 anos”, detalha.

O jovem de 91 anos tem outras lembranças que o enchem de orgulho. As viagens realizadas a cavalo para diversas cidades, viagens essas que duraram três dias de deslocamento sobre o lombo do cavalo.

“Já fui para Iraí RS, para Santa Terezinha do Progresso, viajei até o Irani para conhecer o Cemitério do Contestado. Em todas essas viagens fui junto com a tropa de cavalo e isso me permitiu conhecer muitos lugares lindos. São experiências de vida que guardo comigo. Além de sempre ter bons companheiros de viagens e um fiel cavalo como foi o Grego que ficou 35 anos comigo”, diz emocionado.

Entre os exemplos deixados aos filhos está uma profissão que está quase extinta nos dias de hoje.

“Tenho os filhos que são domadores, laçadores e todos tem o mesmo carinho e paixão pelos cavalos”, orgulha-se.

Outro fato lembrado com emoção pelo patriarca é que ele conseguiu estudar apenas até a quarta série do ensino fundamental. Já os filhos estudaram mais e concluíram o Ensino Médio e alguns têm curso superior.A história de Rufino e Luiza Oliveira da Fonseca está detalhada na integra em vídeo a seguir.

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