O governo federal, por meio da Transpetro (subsidiária da Petrobras), assinou contratos de R$ 2,8 bilhões para a construção de 41 novas embarcações. A cerimônia, realizada nesta terça-feira (20) em Rio Grande (RS), contou com a presença do presidente Lula e do governador Eduardo Leite. O investimento deve gerar mais de 9 mil empregos diretos e indiretos e representa um passo decisivo na retomada da indústria naval brasileira pelo Programa Mar Aberto.
As encomendas incluem cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores, que serão construídos em estaleiros do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Amazonas. As embarcações modernizarão e expandirão a frota da Transpetro, aumentando a capacidade logística para transporte de GLP e derivados e reduzindo a dependência de fretes externos.
Distribuição dos investimentos e tipos de embarcações
Os contratos foram divididos entre três estaleiros estratégicos, injetando recursos e gerando empregos em diferentes regiões do país. A tabela abaixo resume o investimento:
Estado / Estaleiro Tipo de Embarcação Quantidade Valor do Contrato Rio Grande do Sul
(Estaleiro Rio Grande Ecovix)Navios Gaseiros 5 R$ 2,2 bilhões Santa Catarina
(Estaleiro Ind. Naval Catarinense, Navegantes)Empurradores 18 R$ 325 milhões Amazonas
(Estaleiro Bertolini, Manaus)Barcaças 18 R$ 295 milhões TOTAL 41 embarcações R$ 2,8 bilhões
Impacto na frota da Transpetro e avanço tecnológico
Os cinco novos navios gaseiros são os grandes destaques em valor e impacto operacional. Eles serão projetados para transportar GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) e outros derivados. Com as entregas, a frota de gaseiros da Transpetro saltará de 6 para 14 navios, triplicando a capacidade de transporte atual.
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, destacou a tecnologia de ponta das novas embarcações. Segundo ela, os gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia e reduzirão as emissões de gases de efeito estufa em 30%. Além disso, terão capacidade para operar em portos eletrificados, um avanço em sustentabilidade.
Retomada da indústria naval e geração de empregos
Os contratos são um pilar do Programa Mar Aberto, iniciativa do governo federal que prevê R$ 32 bilhões em investimentos no setor naval até 2030. “Sem a política de conteúdo local e os mecanismos de incentivo, não seria possível estarmos aqui”, afirmou Sergio Bacci, presidente da Transpetro.
O impacto no emprego é imediato e expressivo. Somente no estaleiro Ecovix, no Rio Grande do Sul, a expectativa é saltar de 400 para cerca de 4 mil colaboradores até o segundo semestre de 2027. Em nível nacional, o setor naval já recuperou parte do terreno: eram 18 mil empregos em 2022 e chegaram a 50 mil no final de 2025. A projeção é retornar ao patamar de 80 mil empregos nos próximos anos.
Capacitação de mão de obra para sustentar o crescimento
Para atender à demanda por profissionais qualificados, já estão sendo criadas iniciativas de formação. A Petrobras anunciou, através de sua presidente, o apoio a um programa que oferecerá 1.600 vagas em cursos de capacitação com bolsa-auxílio.
Além disso, será inaugurada em março, no Rio Grande, uma nova escola do Senai dedicada exclusivamente à formação de mão de obra para a indústria naval. Essas medidas visam garantir que o crescimento do setor seja sustentado por trabalhadores treinados e especializados.
Objetivos estratégicos e benefícios para o país
Mais do que números, os contratos atendem a objetivos nacionais estratégicos:
- Autonomia Logística: Reduzir a dependência do afretamento (aluguel) de navios estrangeiros para transporte de GLP, um produto essencial para milhões de brasileiros.
- Desenvolvimento Regional: Distribuir investimentos e gerar empregos de qualidade no Sul (RS e SC) e no Norte (AM), fortalecendo economias locais.
- Sustentabilidade: Incorporar tecnologias que reduzem o consumo de combustível e as emissões poluentes, alinhando a operação às melhores práticas globais.
- Reativação da Cadeia Produtiva: Reaquecer fornecedores da indústria naval, como siderúrgicas e fabricantes de equipamentos, criando um efeito multiplicador na economia.
A assinatura destes contratos marca, portanto, não apenas um dia de anúncios, mas o início de um ciclo virtuoso de investimentos, emprego, tecnologia e soberania logística para o Brasil.





