Setor de bares e restaurantes foi um dos mais atingidos; em SC, 40 mil postos de trabalho foram fechados. FOTO: Tomaz Silva/Agência Brasil

Apesar da pandemia, a economia brasileira está em crescimento, inclusive com o Produto Interno Bruto (PIB) voltando ao nível anterior ao registrado ao surgimento do coronavírus. No país e em Santa Catarina, a expectativa é de que nos próximos meses o movimento de recomposição da força de trabalho se intensifique.

“2020 foi um ano atípico, impactado pela pandemia e todas as atividades produtivas foram comprometidas, mas no final do ano começamos a sentir a retomada de algumas atividades econômicas e entramos 2021 com uma situação mais favorável”, avalia presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Sérgio Rodrigues Alves, entidade que reúne mais de 34 mil empresas filiadas a 148 associações empresariais no estado

Para ele, setores como o da construção civil, têxtil, metal-mecânico e o agronegócio (que é o fiel da balança econômica), estão em pleno crescimento no estado desde início do ano e as expectativas são excelentes. “Houve até momentos de dificuldades em disponibilização de insumos, faltou matéria-prima para alguns setores, como ocorreu com a falta de embalagens.”

Sérgio Rodrigues Alves, presidente da FaciscApesar deste crescimento gradual, ele alerta que o país não tem suporte para uma retomada muito acelerada, por existir gargalos em relação à infraestrutura, como a disponibilidade de gás e energia elétrica. “Santa Catarina está passando por um momento positivo neste setor, estamos tendo investimentos em vários segmentos, como o digital, de tecnologia, do comércio e percebemos em todas as regiões a falta de mão de obra devido ao aquecimento da economia.”

Rodrigues destaca também que o governo estadual está sendo pró-ativo neste período da pandemia, anunciando investimentos em infraestrutura, principalmente em rodovias. Ele também enaltece iniciativas do Parlamento, que vem aprovando leis que beneficiam essa expansão da economia, além de ressaltar a importância da aprovação da reforma da Previdência. “Falo isso como ex-secretário da fazenda. Para cobrir o déficit tributário é importante a aprovação desta reforma.”

Ele demonstra preocupação com aumento de preços de algumas matérias-primas, que poderá resultar na volta da inflação, principalmente no final do ano. “O ferro, o frete e nos supermercados a elevação dos preços do arroz, feijão, óleo, entre outros, me preocupa. À medida que encarece o produto pode ocorrer a retração de demanda, mas felizmente a economia está bem, basta perceber o fluxo de caminhões nas rodovias.”

Na avaliação do presidente da Facisc, não foi resolvido o problema do coronavírus, mas o fluxo de vacinas no estado está positivo e isso reflete na economia. ”Um dos setores mais afetados é o hoteleiro e o de eventos, que aos poucos está retornando, o turismo também está em pleno aquecimento. A verdade é que em todos os segmentos da economia catarinense vejo uma retomada da economia.”