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Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 22, pela Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc), a economia catarinense recuou 14,2% no segundo trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Esta foi a maior queda da história do indicador.

O desempenho ruim é resultado dos impactos causados pela pandemia, já que as restrições de isolamento social estavam mais rígidas no período, especialmente nos meses de abril e maio. Das 12 regiões pesquisadas pela Federação, 11 registraram retração. As maiores quedas foram registradas no Vale do Itajaí (-17,6%) e no Norte (-15%). 

“Abril e maio foi o período mais difícil da economia catarinense. O impacto foi maior onde o vírus chegou primeiro, como foi o caso das regiões litorâneas e afetou praticamente todos os segmentos. No interior, a queda foi menor, em especial pelo bom desempenho do agronegócio”, destacou o economista da Facisc, Leonardo Rodrigues. 

Segundo o economista, as ações do Governo Federal foram fundamentais para que a crise não fosse ainda maior em Santa Catarina.

“O auxílio emergencial foi essencial pra manter o consumo durante a pandemia, mas ele teve um impacto maior em outras regiões do país, já que SC é quem menos recebe o auxílio. Nesse sentido eu destaco a MP 936. Só em SC foram 800 mil acordos, o que representa [cerca de] 30% dos empregos com carteira assinada. Isso foi essencial para que os impactos na economia não fossem ainda maiores”, afirmou.

A única região registrou alta em relação ao segundo trimestre de 2019 foi o Noroeste, que cresceu 3,3%. De acordo com Rodrigues, isso aconteceu por conta da baixa base de comparação – a região tinha registrado queda nas últimas pesquisas. 

Expectativa

Com a queda histórica, a economia de Santa Catarina fechou o primeiro semestre deste ano com uma retração de 6,2%. De acordo com Rodrigues, a expectativa para os próximos meses é de retomada, mas o ano ainda deve terminar no vermelho. 

“A nossa economia deve terminar o ano melhor que a do Brasil, mas ainda vai ter uma queda. A diversificação da economia de SC e a maneira como a gente se fechou, com esse lockdown no começo e a retomada gradual, fez com que a crise não fosse tão forte aqui. O câmbio alto também deve ajudar na recuperação no segundo semestre, já que somos um Estado exportador”, destacou. 

Para que a retomada aconteça de forma ainda mais rápida, ele sugere que o foco agora seja auxiliar os setores que estão com mais dificuldades, como o de eventos e turismo. 

“As pessoas só vão ter a tranquilidade para viajar para longe novamente quando tiver uma vacina. Enquanto isso, nós podemos estimular o turismo e eventos locais. Santa Catarina tem vantagem nisso por conta de suas atrações e pelo fato da economia não ter caído tanto em relação ao restante do Brasil”, completou.