quinta-feira, 22 fevereiro, 2024

Comissão vai elaborar relatório final sobre crise no setor leiteiro

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Divulgação/Agência Alesc

Berço do gado leiteiro Jersey, Braço do Norte, município do Sul do Estado, fechou nesta segunda-feira 2, o ciclo de quatro audiências públicas promovidas pelo Parlamento catarinense, com o debate sobre a situação crítica dos produtores leiteiros no Estado.

Promovida pela Comissão de Agricultura da Alesc, por proposição do deputado Oscar Gutz (PL), a audiência contou com a participação de mais de 400 pessoas, que lotaram o auditório Sicoob Credivale, grande parte, produtores de leite da região.

Presentes ainda agentes políticos, representantes de sindicatos e associações rurais, Epagri, Cidasc, Fecoagro, governo do Estado, entre outras instituições. Além do deputado Oscar Gutz, participaram os deputados Volnei Weber (MDB) e José Milton Scheffer (PP).

Como encaminhamento, a Comissão de Agricultura do Parlamento pretende elaborar um relatório final, uma radiografia conclusiva das quatro audiências públicas realizadas. Esse documento será encaminhado para o governo de Santa Catarina e para o governo Federal.

Considerada uma das atividades mais relevantes para economia de Santa Catarina, o que se busca é sanar os principais pontos reivindicados, como a queda dos preços e a alta nos custos de produção, que ameaçam o abandono da atividade. As audiências ocorreram em Seara, São Miguel do Oeste e Presidente Getúlio.

Mobilização

Pressionar os governos do Estado e Federal para buscar a adoção de uma política pública para o produtor leiteiro foi uma das principais reivindicações do debate, com a redução da carga tributária, e criação de subsídios ou barreiras fiscais que impeçam a entrada indiscriminada de leite de outros países no mercado nacional, especificamente, de Santa Catarina.

Para se ter uma noção da gravidade da situação, dados da  Epagri apontam que de janeiro a julho deste ano, as importações aumentaram 182,4% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 98% das importações de lácteos feitas pelo Brasil vieram dos países do Mercosul.

Defesa dos produtores

O deputado Oscar Gutz foi categórico ao defender que o papel do Parlamento é justamente dar voz ao povo catarinense. “Por isso estamos aqui, para trabalhar pela sociedade. É injusto o que está acontecendo com o setor”, avaliou. Ele deixou claro que o Parlamento já está acionando o governo do Estado e o governo Federal para que tomem medidas no sentido de minimizar essa situação. “O Executivo já se comprometeu em avaliar a carga tributária que incide no leite”, informou.

O deputado Volnei Weber pontuou que a Comissão de Agricultura tem sido atuante e incansável nesse tema. “É um segmento sensível, que está enfrentando uma concorrência desleal, com 300% de aumento da importação do leite em pó do Mercosul”, avaliou.

Já o deputado José Milton Scheffer disse que a Comissão da Agricultura vai dar o encaminhamento prático dessas audiências. “O governo tem que achar um caminho para atender aos pleitos dos produtores de leite, seja na redução da carga tributária do Estado ou na criação de subsídios ou barreiras fiscais que impeçam a entrada indiscriminada de produtos de outros países”, avaliou.

Desabafo

Durante a audiência, produtores como Roseli Pereira fizeram um desabafo.  “Estamos desesperados. Será que vale tanto sacrifício? Precisamos da ajuda dos nossos deputados nesse pleito”, acrescentou. Ela explica que o produtor de leite convive com a incerteza e que essa é a pior crise enfrentada pelo setor. “Queremos condições justas para competir”, disse.

Foi consenso entre as manifestações dos produtores de leite que a situação é preocupante.

Pleitos

Os pecuaristas de gado leiteiro querem uma cota de importação para não prejudicar a produção nacional. Os produtores ainda apontam que a indústria brasileira está pagando menos pelo litro do leite. O aumento das importações, principalmente da Argentina e do Uruguai, que possuem o custo de produção menor, tem afetado a comercialização do produto catarinense.

Preço cai em julho pelo 3º mês seguido

O preço do leite cru seguiu em queda em julho, pressionado sobretudo pelo aumento das importações e pela desvalorização dos lácteos. Na “Média Brasil”, o preço do leite ao produtor chegou a R$ 2,41/litro em julho, recuos de 5,69% frente ao de junho e de 35% na comparação com julho/22, em termos reais (as médias foram deflacionadas pelo IPCA de jul/23).

Trata-se da terceira queda mensal consecutiva. Pesquisas em andamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam para a continuidade desse movimento de queda em agosto.

Importações sobem 6% em setembro e ampliam déficit da balança comercial

As importações de derivados lácteos voltaram a subir em agosto. Dados da Secex mostram que o Brasil adquiriu 196 milhões de litros de leite no último mês, 6,1% acima do volume importado em julho/23 e 11,2% a mais que em agosto/22. Esse cenário está atrelado à maior competitividade do preço externo frente ao nacional.

 

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