Dados divulgados pelo Sindicato do Comércio da Região de Chapecó (Sicom) indicam que, mesmo com a primeira redução da Selic em março, o percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer atingiu 80,4% no mês passado, renovando o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O levantamento é realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O resultado de março superou os 80,2% de fevereiro e reforça o alerta da CNC para os próximos meses, em vista dos efeitos do conflito no Oriente Médio e das consequências da alta do petróleo no bolso do consumidor. O endividamento das famílias brasileiras em 2026 continua avançando até que os efeitos da flexibilização monetária cheguem ao consumidor final.
Inadimplência estabiliza, mas ainda preocupa
O diretor executivo do Sicom, Almeri Dedonatto, especifica que, apesar do volume recorde de endividados, os índices de atraso apresentaram sinais de estabilização. O percentual de dívidas em atraso permaneceu em 29,6% em março — estável em relação a fevereiro, mas ainda acima dos 28,6% registrados em março de 2025.
O grupo de consumidores que declara não ter condições de quitar débitos recuou para 12,3% em relação a fevereiro. O dado, conforme o executivo do Sicom, sinaliza mudança no comportamento de parte dos consumidores diante das obrigações financeiras.
Comprometimento da renda e percepção das famílias
Quanto à percepção das famílias, o levantamento da CNC mostra que o total de pessoas que se classificam como muito endividadas recuou para 16%. Já o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,6%, abaixo do registrado um ano antes.
O recorde negativo da inadimplência foi alcançado em setembro e outubro de 2025, com 30,5% dos endividados. A CNC destaca que a alta dos preços do diesel e combustíveis em geral tem gerado incerteza inflacionária, reduzindo o poder de compra e forçando o uso de crédito para despesas básicas.






