A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) promoveu, nesta semana, o 4º Workshop de Inovação e Competitividade da Rede de Inovação FaberUp, direcionado para as regiões oeste e extremo oeste. Participaram a diretora de inteligência competitiva da Ogochi, Aureane Mignon, e o vice-presidente da Azeplast, Djalma Aquino Azevedo, que explanaram sobre projetos de inovação e seu desenvolvimento nas empresas.

Também estiveram presentes a gerente executiva do IEL/SC, Eliza Coral, o diretor de inovação e competitividade da FIESC, José Eduardo Fiates, o vice-presidente da FIESC para a região oeste, Waldemar Schmitz, o vice-presidente da FIESC para a região extremo oeste, Astor Kist, e o gerente executivo do SESI, SENAI e IEL nas regionais Oeste e Extremo Oeste, Jardel Carminatti.

Workshop de Inovação e Competitividade ocorreu nesta semana. Foto: Divulgação

            Fundada há 30 anos em São Carlos (SC), a Ogochi é uma empresa fabricante de roupas masculinas e atua em todo o território nacional. Possui unidades fabris em sete cidades da região. Em 2014, iniciou a implementação do Programa Ogochi Inova, uma iniciativa para atender ao objetivo estratégico “Desenvolver a cultura da inovação e criatividade”. “Nosso foco estava na perenização do negócio e isso envolve crescer com lucratividade, gerando oportunidades a todos os envolvidos, gerar valor aos clientes lojistas e consumidores, gerar competitividade, ter produtos, serviços e processos inovadores e, com tudo isso, desenvolver a cultura da inovação e criatividade dentro da empresa”, explicou Aureane.

            Para a implantação do programa, foi criado um mapa estratégico, que foi sendo aprimorado no decorrer dos anos. Nesse mapa, eram definidos objetivos e metas para fatores econômicos e financeiros, clientes, produtos e processos, fornecedores, força de trabalho e gestão social e ambiental. “Começamos com uma consultoria da Fundação Dom Cabral, fizemos parceria com o IEL, criamos o Núcleo e Comitê de inovação, promovemos o Seminário do Conhecimento, implementamos grupos de melhorias, incorporamos a metodologia de Lean Manufacturing e, em 2020, com a pandemia, fizemos uma revisão profunda dos processos”, relatou a diretora.

            O Ogochi Inova tem como objetivo estimular, envolver e captar ideias dos colaboradores de forma eficiente e estruturada, auxiliando desde a geração até a implementação na prática. “Criamos um sistema de pontuação para os colaboradores que vai desde pontos para quem sugere até para quem tem as ideias implementadas, pois dar ideia é fácil, o difícil é colocá-las em prática. A invenção poderá ser uma inovação apenas se for levada ao mercado”, sublinhou Aureane.

            NÃO EXISTE MÁGICA

            A diretora salientou que não existe mágica, mas muito trabalho. “Também aprendemos que um fator-chave para inovação é a liderança”, expôs. Para Aureane, a liderança inovadora estabelece direções estratégicas para a inovação, coloca as pessoas certas nos lugares certos, reconhece talentos, motiva as pessoas para a mudança, incentiva o trabalho em equipe, tem tolerância ao erro, arrisca de forma consciente, reconhece e compartilha resultados. “Estamos trabalhando para desenvolver os líderes da empresa. O segredo da inovação são as pessoas e elas precisam ter bons líderes”, realçou.

            Como resultado de todo esse processo, a Ogochi foi selecionada, neste ano, com projeto junto ao Finep. Foi classificada por oito anos consecutivos como uma das empresas que mais crescem no Brasil (de 2012 a 2019), recebeu três vezes o Prêmio Catarinense da Excelência, recebeu, por cinco anos ( 2016 a 2020) o certificado de Responsabilidade Social e está entre as melhores empresas para trabalhar em Santa Catarina ( 2016 a 2020).

            CRESCIMENTO DURANTE A PANDEMIA

            A Azeplast foi fundada em Chapecó há 30 anos, é uma indústria de filmes flexíveis especializada na fabricação de sacos para lixo e embalagens recicladas. O parque industrial tem 6 mil metros quadrados e mais de 200 colaboradores. Atua com processo integrado de reciclagem e transformação, com capacidade instalada para 500 toneladas mensais de produtos acabados. A empresa entrega aos clientes um certificado anual de fornecimento de embalagens recicladas. “Baseado em um estudo de impacto de ciclo de vida, esse certificado demonstra o peso do plástico desviado de aterros, reduções de consumo de energia, água e emissões de gases na atmosfera”, explicou Azevedo.

            O vice-presidente da Azeplast também destacou que, para ser uma inovação, precisa ter comercialização e dar resultado. Enfatizou que a inovação não é apenas de produtos, mas de serviços, processos, experiência do consumidor, organização, entre outros. “A inovação da Azeplast ocorre nas áreas de clientes, processo e oferta. Nosso modelo de negócios mudou com base nessas premissas”, relatou. O início da mudança foi com a criação de duas distribuidoras em São Paulo e no Rio de Janeiro em 2016, que agilizou a logística da empresa. “A principal mudança foi na aproximação com o cliente, passamos a entender melhor as suas necessidades”, contou Azevedo.

Porém, a grande mudança veio em 2020, com a pandemia. A empresa iniciou um processo de ampliação de mix de produto, especialmente no segmento heathcare, por meio de outra empresa do grupo, a Septi (fabricante de EPIs hospitalares). Ampliou também o modelo de negócio e estruturou um time multidisciplinar de comercial interno e de desenvolvimento de produtos baseado na metodologia growth hacking.

RESULTADOS

Entre os resultados estão maior proximidade com o usuário final e melhor entendimento das dores dos clientes, aumento de um para quatro processos industriais distintos (filmes plásticos, confecção, conversão de papel e conversão de máscaras), ampliação do mix de oferta da empresa com lançamentos constantes de novos produtos (industrial, importação e comércio) e estabelecimento de uma cultura de desenvolvimento de novas soluções e de experimentação.

Outro resultado foi o crescimento da receita em 93% em 2020. “Apesar de termos produtos que são necessários com a pandemia, o crescimento foi exponencial. Hoje a empresa é três vezes maior do que era em 2019. Porém, o principal resultado foi a mudança do negócio e o envolvimento do time”, enfatizou Azevedo. Neste ano, o crescimento da receita é de 70%. “Estávamos trabalhando nesse processo antes da pandemia, mas com ela o processo se acelerou com força perante a oportunidade de mercado que se apresentou. Após, transformamos em prática”, concluiu Azevedo.