Inclusão que vai além da comunicação

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Setembro Azul reforça a luta por acessibilidade e respeito à comunidade surda

O Setembro Azul, mês de visibilidade da comunidade surda, é um período de afirmação da língua, da cultura e da identidade das pessoas surdas. Em Chapecó, a diretora do Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAESP) mantido pela Associação de Surdos de Chapecó (ASC), Juliane Brancher, e a psicóloga surda da ASC, Deisi Bordignon, destacam a importância de ampliar a acessibilidade e combater barreiras que ainda fazem parte da rotina da comunidade.

Deisi Bordignon, psicóloga da ASC e surda

“É um período para fortalecer a divulgação da Língua Brasileira de Sinais (Libras), combater o preconceito e a invisibilidade. O mês também é uma oportunidade para promover a reflexão sobre os direitos das pessoas surdas à educação bilíngue, acessibilidade, participação social e autonomia”, destacam.

Apesar dos avanços, a realidade ainda apresenta desafios.

“Ainda existem muitas barreiras enfrentadas pela comunidade surda, especialmente nas áreas da comunicação, educação, saúde, trabalho e acesso ao mercado de trabalho.” 

Em Chapecó, a Central de Intérpretes de Libras representa um avanço ao facilitar a comunicação entre surdos e ouvintes, mas a oferta do serviço, por si só, não elimina todas as dificuldades.

“É necessário ampliar a acessibilidade linguística nos serviços públicos, na saúde, na educação, no trabalho e em outros espaços de convivência social, a falta de informação e as dificuldades de comunicação podem limitar o acesso a direitos e também as oportunidades de crescimento pessoal, acadêmico e profissional”, destaca Juliane.

A formação de profissionais capacitados é outro ponto considerado essencial. 

“Não basta que o profissional tenha um contato inicial com a Libras, é necessário manter uma formação permanente, além do domínio da língua, essa preparação precisa envolver a compreensão da cultura, da identidade e da experiência visual da pessoa surda, afirmou a psicóloga Deisi.

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Inclusão também significa participar

Juliane Brancher, diretora do Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAESP) mantido pela Associação de Surdos de Chapecó (ASC).

A ASC tem atuação que vai além do atendimento especializado. A entidade é apresentada como um espaço de encontro, pertencimento e fortalecimento da comunidade surda. Entre as ações estão atividades educacionais, culturais, esportivas e de convivência, cursos de Libras no período noturno, a Central de Intérpretes e o CAESP, mantido em convênio com a Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE).

No CAESP, são oferecidas oficinas de Libras, Libras exploratória, Língua Portuguesa e preparação para o mercado de trabalho. A proposta é contribuir para a autonomia dos estudantes e ampliar suas possibilidades de participação social. 

“A ASC não atua apenas para a comunidade surda, mas, sobretudo, com a comunidade surda”, destacam as profissionais.

No mercado de trabalho, Chapecó também registra avanços, mas ainda há obstáculos depois da contratação. 

“Muitas vezes, a inclusão termina no momento da contratação. A pessoa surda pode conseguir uma oportunidade, mas enfrenta dificuldades para participar de reuniões, acessar informações, realizar capacitações e conquistar crescimento profissional”, afirmam as profissionais.

Para elas, a inclusão precisa ultrapassar a contratação. 

“Não basta inserir a pessoa surda em espaços que já existem, precisamos questionar se esses espaços foram pensados para a diversidade. A Lei nº 8.213/1991, que estabelece cotas para pessoas com deficiência, é apontada como um mecanismo importante, mas a acessibilidade linguística é necessária para garantir permanência e participação”, afirmou Deisi.

A tecnologia também pode contribuir. A inteligência artificial já pode auxiliar no reconhecimento de sinais, na produção de legendas, transcrições e materiais acessíveis. Porém, há limites. A IA não substitui a pessoa surda, o professor de Libras ou o intérprete. Isso porque Libras envolve contexto, movimento, espaço, expressões faciais e aspectos culturais que não podem ser reduzidos à tradução de sinais.

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“A inclusão começa também dentro das famílias. Quando a família aprende Libras e passa a utilizá-la no cotidiano, fortalece a comunicação, a autonomia, a autoestima e a identidade da pessoa surda”, destacam. 

As profissionais ressaltam que cada pessoa pode escolher suas formas de comunicação, utilizando Libras, oralização, aparelhos auditivos ou outras tecnologias.

Para a sociedade, ainda é preciso mudar atitudes. Falar com o acompanhante em vez de se dirigir diretamente à pessoa surda e presumir que a surdez significa incapacidade são comportamentos que precisam ser superados.

A mensagem da ASC neste Setembro Azul é que a acessibilidade não deve ser lembrada apenas durante um mês. 

“A inclusão começa quando deixamos de olhar a diferença como aquilo que precisa ser corrigido ou adaptado e passamos a compreendê-la como parte constitutiva da própria experiência humana.” 

Para Juliane Brancher e Deisi Bordignon, uma cidade inclusiva é aquela que reconhece diferentes formas de comunicar, aprender e participar da sociedade.

Educandos da Associação do Surdos de Chapecó (ASC) durante atividade desenvolvida na entidade

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