Esclerose múltipla pode ser diagnosticada mais cedo

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Os novos critérios de McDonald, atualizados em 2024 e usados desde 2001, permitem diagnosticar esclerose múltipla mais cedo ao reunir sinais clínicos, ressonância magnética, avaliação do nervo óptico e análise do líquor, sem esperar sempre uma nova manifestação da doença.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca estruturas do sistema nervoso central. Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa, o que sempre dificultou a confirmação do quadro logo no primeiro atendimento.

A ressonância passou a mostrar mais do que lesões

Historicamente, o diagnóstico buscava provar que as lesões tinham aparecido em regiões diferentes do sistema nervoso e em momentos distintos. Isso exigia tempo e, muitas vezes, novas ressonâncias ao longo de meses ou até anos.

Uma das mudanças mais importantes está na ressonância magnética. Técnicas modernas, especialmente em sequências ponderadas em T2 e suscetibilidade magnética (SWI), ajudam a identificar o sinal da veia central, que aumenta a chance de a lesão ser desmielinizante típica da esclerose múltipla.

Outra mudança relevante envolve o nervo óptico. A neurite óptica pode surgir cedo e provocar perda ou embaçamento da visão em um olho, alteração na percepção das cores — sobretudo dessaturação do vermelho — e dor ao movimentar os olhos. Nos critérios de 2024, o nervo óptico passou a contar formalmente para demonstrar a distribuição da doença no espaço.

Além da imagem, a investigação ganhou apoio de exames complementares. A tomografia de coerência óptica (OCT) examina as camadas da retina sem invasão e pode mostrar adelgaçamento da camada de fibras nervosas retinianas. Os potenciais evocados visuais medem a velocidade de condução elétrica ao longo da via visual e podem indicar desmielinização mesmo sem sintomas visuais claros.

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No líquor, a punção lombar segue importante. As bandas oligoclonais continuam relevantes, e as cadeias leves livres kappa entraram como biomarcador complementar para indicar atividade imunológica intratecal com mais precisão quantitativa.

Diagnóstico errado continua sendo um risco

Os novos critérios não foram criados para aumentar indiscriminadamente o número de diagnósticos. A ideia é reconhecer com mais precisão quem já reúne evidências clínicas, de imagem e laboratoriais compatíveis com esclerose múltipla.

Isso importa porque um diagnóstico errado tem consequências graves: expõe o paciente a tratamentos imunomoduladores com efeitos colaterais significativos, gera ansiedade e mudanças de vida desnecessárias e pode atrasar a descoberta da doença real.

Estudos de acompanhamento de longo prazo mostram que iniciar o tratamento modificador da doença mais cedo está associado a menor risco de acúmulo de incapacidade ao longo dos anos. No Agosto Laranja, mês de conscientização sobre a esclerose múltipla, a mensagem é de avanço, mas também de responsabilidade.

Fonte: CNN Brasil.

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