Especialista da Unesco defende uso crítico da IA na educação; celular em sala é um dos desafios

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Educadora Daniela Costa participou de encontro no Rio de Janeiro e apresentou dados sobre impacto da tecnologia no aprendizado. Formação de professores e uso de vídeos em pesquisas são destaques.

O crescente uso de tecnologias como a internet, com destaque para a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado de pensamento crítico e não apenas entregue nas mãos de estudantes e professores. A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil. “Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”, afirmou.

  • O que é: Debate sobre o uso crítico de tecnologias, incluindo IA, na educação brasileira.
  • Números principais: 51% das escolas proíbem celular; 89% dos estudantes usam vídeos para pesquisas; 54% dos professores tiveram formação continuada em tecnologia; Lei Federal 15.100/2025.
  • Onde: Em todo o Brasil, com impacto em Chapecó e Oeste Catarinense, onde escolas e professores já enfrentam os desafios da tecnologia em sala de aula.
  • Quem afeta: Estudantes, professores, gestores escolares e a qualidade da educação.

Por que o uso da tecnologia na educação precisa ser crítico?

Daniela Costa, que também é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), defende que não basta entregar tecnologia nas escolas. “Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, afirmou. A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro.

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Celular em sala de aula: o que diz a lei e os dados no Brasil?

Daniela apresentou dados do Cetic.br que mostram que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola. “Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos.

A educadora lembrou que o Brasil tem a Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe uso de celular durante a aula, recreio ou intervalos. “O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explicou. Para ela, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes. “Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”, alertou.

Vídeos e IA substituem livros na pesquisa escolar?

Daniela Costa chamou atenção para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares. O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos. “A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata.

A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes. Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%). Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs.

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Professores são referência, mas faltam formações continuadas

A educadora acrescentou que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais. De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%. No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem. Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta. “É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.

Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”. “Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.

Qual o impacto desses dados para Chapecó e o Oeste Catarinense?

Em Chapecó e no Oeste Catarinense, onde escolas públicas e privadas já lidam com o desafio da tecnologia em sala de aula, os dados apresentados pela Unesco reforçam a necessidade de políticas educacionais que vão além da simples distribuição de equipamentos. A formação continuada de professores, a implementação da Lei Federal 15.100/2025 e o incentivo ao uso crítico da IA são temas que mobilizam gestores e educadores da região.

Escolas municipais e estaduais de Chapecó têm adotado medidas para limitar o uso de celulares durante as aulas, mas o desafio da distração digital e da qualidade das pesquisas realizadas pelos estudantes permanece. A orientação de especialistas como Daniela Costa aponta caminhos para que a tecnologia seja uma aliada, e não um obstáculo, no processo de aprendizagem.

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Com informações da Unesco, do Cetic.br e do 4º Encontro de Educadores do Século XXI.

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