Tétano segue fazendo vítimas e avanço da baixa cobertura vacinal preocupa autoridades

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Resumo

O CDC registrou 402 casos de tétano e 37 mortes nos Estados Unidos entre 2009 e 2023, além de quatro casos em crianças em 2024, em Idaho, Minnesota, Missouri e Wisconsin. A doença continua grave porque a vacinação caiu e a bactéria segue presente no ambiente.

O tétano pode parecer uma doença de outra época, mas não saiu de cena. Dois relatórios recentes do CDC mostram que ele ainda mata nos Estados Unidos: foram centenas de casos ao longo de 15 anos e quatro ocorrências em crianças só em 2024. A ameaça cresce quando a cobertura vacinal cai.

Como a infecção começa

A CNN Brasil ouviu a Dra. Leana Wen, médica emergencista, especialista em bem-estar e professora associada clínica da Universidade George Washington, além de ex-secretária de Saúde de Baltimore. Ela explicou que o tétano é causado pela bactéria Clostridium tetani, cujos esporos são comuns no solo, na poeira e nas fezes de animais.

A infecção começa quando esses esporos entram no corpo por uma lesão. A ferrugem não é o problema. O risco está em pregos e outros objetos expostos ao ambiente externo, que podem carregar a bactéria. Perfurações são o exemplo clássico, mas cortes profundos, fraturas expostas, queimaduras, lesões por esmagamento e até pequenos cortes contaminados por sujeira ou detritos também podem abrir caminho para a doença.

Em uma série recente do CDC com quatro crianças, os ferimentos incluíram uma fratura no tornozelo sofrida durante o uso de um patinete elétrico, uma perfuração e uma lesão no pé. A orientação é procurar atendimento médico imediatamente em caso de perfuração profunda, ferida contaminada com terra ou fezes de animais, lesão por esmagamento, queimadura, lesão por congelamento ou ferimento com resíduos que não saem facilmente.

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No atendimento, o profissional limpa a ferida e avalia se há necessidade de proteção adicional contra o tétano. Em muitos casos, a prevenção depois da lesão inclui vacina com proteção contra a doença e, às vezes, imunoglobulina antitetânica, que oferece anticorpos imediatos.

Vacina e risco

Os sintomas costumam aparecer entre alguns dias e algumas semanas após a lesão. O trismo, ou travamento da mandíbula — lockjaw — é um dos sinais mais conhecidos. No começo, o paciente pode sentir rigidez na mandíbula, dor no pescoço e nas costas ou dificuldade para engolir. Depois, os músculos do corpo inteiro podem endurecer e entrar em espasmos dolorosos.

A doença pode avançar rápido. Os músculos da respiração podem falhar; alguns pacientes têm espasmos nas cordas vocais que bloqueiam as vias aéreas; outros sofrem oscilações perigosas da pressão arterial e alterações do ritmo cardíaco porque o sistema nervoso autônomo também é atingido. A recuperação leva semanas ou meses e, mesmo com bom atendimento médico, o tétano pode matar.

A Academia Americana de Pediatria recomenda cinco doses de vacina com proteção contra o tétano na infância, começando aos 2 meses de idade. Adolescentes devem receber reforço da Tdap aos 11 ou 12 anos. Adultos precisam de dose de reforço a cada 10 anos; segundo o CDC, quem sofre queimaduras graves ou ferimentos contaminados deve antecipar esse reforço para cinco anos. Gestantes devem tomar Tdap em cada gravidez para proteger também os recém-nascidos.

As pessoas mais vulneráveis são as que não foram vacinadas ou não completaram o esquema básico. Entre os casos com situação vacinal conhecida citados pelo CDC, quase metade nunca tinha recebido vacina contra o tétano. Crianças cujos pais ou responsáveis recusam a vacinação ficam especialmente expostas; isso inclui recém-nascidos protegidos pela imunização durante a gravidez.

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Os idosos formam outro grupo sensível. As maiores taxas de casos e mortes ocorreram entre mulheres com 80 anos ou mais. A série primária da vacina contra o tétano passou a ser recomendada em 1947, e é possível que parte dessas mulheres nunca tenha recebido a vacinação básica nem sido imunizada durante o serviço militar, como aconteceu com muitos homens da mesma faixa etária.

O tétano não é contagioso. Diferente do sarampo, ele não depende da proteção coletiva para deixar alguém seguro; cada pessoa precisa estar vacinada por conta própria.

Os números dos relatórios

O relatório de vigilância do CDC analisou os casos de tétano nos Estados Unidos entre 2009 e 2023. Nesse intervalo de 15 anos, foram registrados 402 casos e 37 mortes. Quase todos os pacientes precisaram ser hospitalizados; cerca de dois terços dos internados foram para a UTI; mais de 40% precisaram de ventilação mecânica; aproximadamente uma em cada dez pessoas infectadas morreu.

O outro relatório tratou dos quatro casos pediátricos registrados em 2024 em Idaho, Minnesota, Missouri e Wisconsin. O tétano pediátrico é raro nos Estados Unidos: entre 2013 e 2023, houve média de apenas quatro casos por ano no país.

As quatro crianças tiveram tétano generalizado, a forma mais comum e grave da doença, na qual a toxina atinge músculos de todo o corpo. Todas foram hospitalizadas; as internações duraram entre oito e 45 dias. Nenhuma havia completado o esquema básico de vacinação contra o tétano.

Todas adoeceram depois de lesões que poderiam ter permitido a entrada da bactéria no organismo. Em dois casos, as famílias buscaram atendimento após o ferimento, mas recusaram o tratamento preventivo recomendado — vacina e imunoglobulina antitetânica.

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Primeiro: saber qual é a própria situação vacinal. Muitos adultos não lembram quando tomaram a última dose ou se completaram o esquema básico; isso pode ser verificado com um profissional de saúde.

Segundo: não ignorar ferimentos. Perfurações profundas ou feridas contaminadas por terra e resíduos pedem atendimento rápido.

Terceiro: lembrar que o tétano continua existindo. A doença ficou rara porque as vacinas funcionam bem — não porque desapareceu — e as bactérias seguem presentes no ambiente. Manter a vacinação em dia é tão importante.

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