quinta-feira, 19 fevereiro, 2026

O peso do diesel no prato: como o custo do frete redefine a economia de chapecó

Compartilhe essa notícia:

Chapecó é o coração pulsante do agronegócio catarinense, mas esse movimento depende diretamente das condições do frete em chapecó para sobreviver. Para uma região que movimenta milhões de toneladas de proteína animal e grãos todos os anos, o preço do óleo diesel não é apenas um detalhe nas bombas dos postos; é o principal termômetro de inflação local.

A matemática invisível do transporte

Diferente de grandes centros urbanos onde o custo do combustível afeta principalmente o transporte individual, no Oeste catarinense o impacto é sistêmico. Segundo dados que podem ser acompanhados nos boletins da Epagri/Cepa e portais de agronegócio, o transporte chega a representar entre 20% e 30% do custo final de produtos como o milho e a soja, essenciais para a alimentação de suínos e aves.

Quando o preço do diesel S10 sobe, o efeito é imediato no chamado “frete de retorno”. O caminhão que traz insumos precisa cobrar mais para compensar a viagem, e esse valor é repassado em cascata até chegar à gôndola do supermercado no centro de Chapecó.

O cenário nas bombas (dados anp)

De acordo com o levantamento semanal de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Chapecó frequentemente apresenta variações que acompanham a logística de distribuição. Por estar distante dos portos e refinarias, o combustível que chega aqui já carrega o custo do seu próprio frete.

  • Logística de interior: O diesel que abastece as frotas chapecoenses percorre centenas de quilômetros antes de chegar aos tanques, o que cria uma pressão inflacionária natural na região.
  • Gatilho do frete: A Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte dita que oscilações acima de 5% ou 10% no combustível devem gerar reajustes imediatos nas tabelas de frete. Para as cooperativas locais, isso significa renegociar contratos de logística quase semanalmente.
LEIA TAMBÉM  Polícia Civil de Chapecó reforça campanha do protocolo "A mulher tem voz - Não é Não"

Do campo à mesa: o efeito dominó

O impacto não fica restrito aos caminhoneiros. Ele atinge:

  1. O produtor rural: Que gasta mais para levar a colheita até o silo.
  2. A agroindústria: Que gasta mais para distribuir a carne processada para o mercado interno e exportação.
  3. O consumidor final: Que percebe a alta no preço do leite, dos ovos e da carne, mesmo morando “ao lado” de onde eles são produzidos.

O que observar daqui para frente?

Sem uma malha ferroviária consolidada que conecte o Oeste ao litoral, Chapecó continua refém do asfalto. Acompanhar as cotações internacionais do petróleo e as decisões da Petrobras é, para o chapecoense, tão importante quanto acompanhar a previsão do tempo para a safra. Enquanto o modal rodoviário for a única via, o preço do diesel continuará sendo o “sócio majoritário” de cada negócio fechado na capital do oeste.

Fonte: Epagri/Cepa

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Terça de carnaval com previsão de temporais e quarta de Cinzas com instabilidade

A previsão do tempo para o Carnaval em Santa Catarina indica condições favoráveis à...

Comércio de Santa Catarina está entre os melhores do Brasil

O volume de vendas do comércio varejista de Santa Catarina encerrou o ano de...

Sicoob adere à linha de crédito Pronampe Leite

A partir do mês de março, os produtores de leite de Santa Catarina contarão...

Carol De Toni protocola requerimento para ouvir ministro Dias Toffoli na CCJC da Câmara

A deputada federal Carol De Toni protocolou requerimento solicitando que o ministro do Supremo...